Obras


      Almeida Júnior - O Pescador
      A minha primeira pescaria no Avanhandava foi feita em companhia de um senhor, advogado em Penápolis, e de seu filho, estudante do terceiro ano da nossa Politécnica, ambos fanáticos pescadores.
      Era em maio, e as águas límpidas tinham seu nível muito baixo. Os dourados, à montante do salto, vinham até sua borda, mas evitavam descer, certamente advertidos pelo instinto, da quase impossibilidade de retorno. Na corredeira rasa onde ficavam, eram fisgados com facilidade. Para atingir esse local, tínhamos de entrar pela margem direita e atravessar o canal –mestre quase na boca do salto, com água pela cintura. A passagem era perigosíssima, e disso fui advertido, mas pai e filho estavam acostumados a vencê-la. Venceram com facilidade, passando de uma para outra pedra submersa, colocadas como batentes da porta desse canal. Quando chegou a minha vez, fiquei como o Colosso de Rodes, de pernas tão abertas, que não podia comandar os músculos para prosseguir ou voltar. Deveria, quando dei o passo, aproveitar o impulso para vencer a passagem, em lugar de estender a perna tateando, medroso de me faltar apoio.Fiz essa pescaria com esses amigos de um dia, cujos nomes, por mais que me esforce não posso recordar, e segui para Corumbá.
      Regressei um mês depois com intenção de ficar em Penápolis e fazer, em tão excelente companhia, nova pescaria no lindo salto.
      Uma semana depois voltou com o desditoso filho e passou o primeiro passo perigoso, prosseguindo a pescaria. Ao jovem sucedeu o que me havia acontecido, e não podendo firmar-se, rolou no abismo. Um pescador que estava embaixo, na margem do canal, o viu tombar, sumir-se no turbilhão e surgir adiante, desgovernado, debatendo-se desesperadamente, a fronte sangrando de larga ferida.
      Na volta, aludindo à tragédia, o pirangueiro, um dos que procuraram o corpo, indicou o poço onde fora encontrado já bastante atacado pelos peixes. (*)
      Não tive mais vontade de pescar nesse dia, e no seguinte voltei para São Paulo, sem aproveitar os que me restavam de férias.

Escrito por: Victor Brogini e Victor Lopes

Almeida Júnior - Obras
      Entre as obras de Almeida Jr. destacam-se: "As Lavadeiras" (1875), "Caipiras Negaceando" (1888), "Caipira Picando Fumo" (1893), "Amolação Interrompida" (1894), "A Partida da Monção" (1898), "Pescando" (1894), e o "Violeiro" (1899).


"Caipiras Negaceando"
"Caipiras Negaceando"

"As Lavadeiras"
"As Lavadeiras"


 












      



"Caipira Picando Fumo"
"Amolação Interrompida"
"Amolação Interrompida"




 









   
"A Partida da Monção"
"A Partida da Monção"

"Pescando"
"Pescando"

"O Violeiro"
"O Violeiro"

 Escrito por: Henrique Kuntz e Vinicius Ribeiro